domingo, 2 de março de 2008

Higuita: «É impossível defender livres de Ronaldo»

RECORD – O Deportivo Rionegro ganhou pela primeira vez, à quarta jornada, e com a preciosa ajuda do Higuita, que defendeu um penálti quando ainda havia 1-1. O melhor de Higuita está finalmente a reaparecer?
HIGUITA – Aquele penálti defendido dá-me confiança para o futuro, pois a minha missão neste clube é devolvê-lo à 1.ª Divisão. Foi um grande dia. Parecia o vosso Ricardo, hein, “señor”? Aquele que defendeu os três penáltis do Mundial’06, com a Inglaterra. Eu só defendi um, mas foi como se tivesse defendido três num Mundial, pela maneira como os adeptos e os meus companheiros se comportaram, abraçando-me e incentivando-me.

R – Já marcou 41 golos na carreira. É um por cada ano de vida?
H – Espero que não, “señor”. Não quero esperar até 28 de Agosto (data do seu 42.º aniversário) para marcar mais um golo. Todos os dias, treino bastante a marcação de penáltis e livres para, um dia, aumentar a minha contabilidade.

R – Pelo meio, arranja tempo para treinar o golpe do escorpião (uma acrobática e arriscada manobra: no ar, com o corpo na horizontal, dar com um pontapé na bola com os calcanhares)?
H – Por supuesto, “señor”! É uma jogada que é preciso ser trabalhada para exibi-la de forma perfeita. É a minha forma de não levar o futebol tão sério [Higuita estreou esta “modalidade” no particular Inglaterra-Colômbia, a 7 de Setembro de 1995, após cruzamento-remate de Jamie Redknapp, mas o jogo estava parado por fora-de-jogo]

R – Que guarda-redes da actualidade se parece mais consigo?
H – Não há. Sou irrepetível. Muito a custo, posso dizer Rogério Ceni, o brasileiro do São Paulo. É um artista na baliza e fora dela. Também há Cech, Abbondanzieri, Buffon e Casillas, que jogam bem com os pés e isso é meio caminho andado para dar segurança à equipa. Mas o que interessa mesmo é completar o jogo sem sofrer golos.

R – Como seria o Higuita do futuro?
H – Gostaria que fosse mais alto [Higuita mede 1,78 centímetros]. Fui baixo para ser guarda-redes, mas nunca tive medo de me atirar contra os avançados grandalhões.

R – E que conselho daria a um guarda-redes?
H – Nos livres, é melhor que coloquem a barreira no lado contrário ao que se faz hoje em dia. Assim, vê-se o jogador que vai rematar, limitando as hipóteses deste na hora de atirar à baliza. Desta forma, ninguém atiraria em jeito e sim em força, o que permitia ao guarda-redes saber de imediato a direcção da bola, lançada como uma bomba, sem curvas nem efeitos. Há já dez anos que faço isso.

R – Isso funcionaria com Cristiano Ronaldo, por exemplo?
H – Já é pedir muito! Neste momento, pela forma como ele atira a bola, é impossível defender os livres dele. Ele marca em força, em jeito, de longe, de perto, do lado esquerdo, do meio, do lado direito... De qualquer lado. Pobres guarda-redes lá em Inglaterra, e na Europa

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