'Pantera negra' e 'bibota' ganharam aos 26; a jovem estrela só tem 23 anos
A Bota de Ouro é um troféu português? Não é, mas parece. Em 1967/68, a France Football inventou-a, mas quem a ganhou logo ali foi Eusébio. E 40 anos depois é outro português que está na iminência de a conquistar: Cristiano Ronaldo lidera com folga a lista de goleadores a jogar em campeonatos europeus. Os franceses, que a lançaram, só cheiraram três das 35 edições - Henry ganhou duas, mas em Inglaterra (Arsenal, e uma a meias com Forlán, então no Villareal), e o único clube gaulês (Marselha) a consegui-la foi pelos pés de um croata (Jospi Sokblar). Já o campeonato português açambarcou sete, um quinto do total, e lidera de longe a contagem (há quatro países cujos campeonatos já venceram quatro vezes o galardão). E não nos esqueçamos que pelo meio de Eusébio e Ronaldo houve um "bibota" (Fernando Gomes), outro que também ganhou duas (o brasileiro Jardel, por FC Porto e Sporting) e o saudoso Hector Yazalde (Sporting).
Portanto, quando o pano se abriu sobre este troféu, Portugal pôs-lhe logo a mão. E que mão: a da "pantera negra". Ficava logo ali um enamoramento do campeonato português pelo mais ambicionado galardão para os goleadores. E não só, porque Cristiano Ronaldo, que vai a todo vapor ao encontro da 36.ª edição, nem é um número 9. Ou é, Fernando Gomes, o "bibota" do FC Porto? "Não sendo um ponta-de-lança, não deixa de o ser", confere o antigo ponta-de-lança, que conquistou, como o cognome "bibota" deixa entender claramente, duas edições do galardão - em 1982/83, com 36 golos no campeonato doméstico; e em 1984/85, com 39.
"O Cristiano Ronaldo nem precisa de ganhar a Bota de Ouro para se afirmar, mas sem dúvida que não deixará de ser uma mais-valia para ele", contextualiza Gomes. E conclui: "Para ele representará mais ainda do que para mim ou do que para o Eusébio, porque marcar golos não é uma exigência para ele, como era para nós, que jogávamos a ponta-de- -lança", diz Gomes. "O golo, para nós, era uma missão exclusiva, ele tem como funções marcar golos, sim, mas sobretudo inventar espaços para que outros o façam".
E aqui entra o treinador que ajudou Fernando Gomes a eternizar-se como "bibota": Artur Jorge, que comandava o FC Porto em 1984/85. E entra com uma opinião vincada: "O Cristiano Ronaldo, ao contrário do que se diz, pode ser um ponta-de- -lança. Com os golos que está a fazer esta época pode tornar-se um marcador de golos fantástico, jogue na direita, na esquerda ou no meio."
Olhando para os números da Bota de Ouro chega-se a uma velha questão: a do copo meio cheio, ou meio vazio. "É uma resposta difícil, de facto", diz Artur Jorge. E do que se fala? Sete títulos do campeonato português em 35 edições, contra 13 dos cinco grandes campeonatos, é sinal de baixa ou alta competitividade? "Nós sempre tivemos bons marcadores de golos, mais antes do que agora. E o nosso campeonato, não sendo tão forte como os mais fortes, sempre foi um bom campeonato", defende o treinador que passou pelo FC Porto e pelo Benfica. O campeonato, diz Artur Jorge, continua a ser "bom, embora não como os melhores do mundo", mas já os goleadores são uma realidade mais rara. "Repare, quando cheguei ao Benfica [como jogador, no início dos anos 70], havia o Torres, o Eusébio, o Jordão, o Vítor Batista e eu próprio. Havia muito mais quantidade, hoje já é mais escasso o número de goleadores".
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