
O defesa argentino, que já jogou no Sporting e hoje está no Real Madrid, cruzou-se com Ronaldo no Manchester United. Aí, nasceu uma forte amizade e uma imagem forte do português.
P: Segunda-feira, dia 12, a FIFA atribui o prémio para melhor jogador de 2008. Cristiano Ronaldo é mesmo o principal favorito?
R: Claro que sim. É o mais justo vencedor. Esse troféu premeia a temporada de um determinado jogador. E não há ninguém que tenha feito, sequer, algo parecido com o que o Cristiano fez na época passada. Conquistou títulos pelo Manchester United, títulos individuais. Por tudo isto é claro que vai vencer.
P: E Cristiano Ronaldo é mesmo o melhor do mundo?
R: É um dos melhores do mundo. Para mim, muito sinceramente, é muito difícil escolher um só jogador como o melhor. Há Messi, há o Cristiano, há o Torres, há o Ibrahimovic, há tantos outros, todos eles excelentes e algo diferentes. Hoje em dia fala-se particularmente do Messi e do Cristiano e entre os dois é bastante difícil escolher. Um tem umas qualidades, outro tem outras, eu queria os dois.
P: Alex Ferguson já falou bastantes vezes sobre a paixão do Cristiano Ronaldo pelo futebol e pela forma como se prepara nos treinos e no ginásio. Acompanhou de perto isto. É mesmo assim?
R: Ele vive para o futebol, não há dúvidas. O futebol para ele é um dos seus grandes amores. O Cristiano traçou um objectivo, queria ser visto como um dos melhores de sempre e está a fazer um trabalho nesse sentido. Ele treina como se fosse um jogo oficial. Faz ginásio para melhorar os índices musculares, tudo para que consiga os seus objectivos. Por vezes perguntávamo-nos o porquê de tanto trabalho, mas lá no fundo todos acabámos por perceber que a paixão que tem pelo futebol leva-o a fazer isto.
P: Jogou com o Cristiano no Manchester United. É verdade que ficaram bastante próximos?
R: Sim, ficámos amigos. Quando eu cheguei a Manchester, tanto eu como o Cristiano tínhamos algumas limitações com o inglês, era mais fácil comunicar com ele do que com os outros colegas. Começámos então a cultivar uma amizade que ainda se mantém.
P: E consegue descrever Ronaldo como amigo?
R: É uma excelente pessoa e um amigo extraordinário. Contou-me muitas histórias da sua infância e dos tempos complicados que passou. Hoje pretende dar uma outra vida à família e ajuda também os amigos. É um amigo carinhoso e sem grandes defeitos.
P: Mas tem alguns defeitos?
R: Sim, a vaidade. Qualquer dia o cabelo cai-lhe com tanto gel que coloca.
P: Também teve a oportunidade de trabalhar com Carlos Queiroz. Como o define?
R: Um estudioso e metódico. Ele analisa tudo e mais alguma coisa. Era o aliado perfeito de Ferguson, tudo o que o Manchester ganhou também se ficou a dever ao seu trabalho.
P: Mas com Portugal nem tudo está a correr bem...
R: Não acompanhei os jogos, soube pelas notícias. Ele chegou há pouco tempo, é natural que nem tudo esteja a correr bem. Mas pela qualidade dele, e dos jogadores de Portugal, de certeza que vão chegar ao Mundial.
P: E se lá chegarem podem ser considerados como favoritos?
R: Há sempre equipas com mais história, que são sempre os chamados favoritos. Portugal tem uma selecção recheada de jogadores fantásticos, não vejo por que não possa vencer o Mundial. Ainda assim espero que, no máximo, fiquem em segundo lugar, atrás da Argentina.
P: Curiosamente, por outro clube por onde passou, o Paris SG, voltou a jogar com outros portugueses, nomeadamente Pauleta, Hugo Leal, Filipe Teixeira e Agostinho. Ainda se recorda de todos?
R: É complicado lembrar-me de todos os jogadores com quem já joguei. Mas lembro-me melhor do Pauleta, um avançado fantástico, um ídolo quando estava em França, e do Hugo Leal, que acompanhava também a sua carreira quando estava em Espanha. Um médio com uma grande visão de jogo.
P: Agora está no Real Madrid e mais uma vez a jogar com um português, Pepe...
R: Pepe é um bom amigo também. É muito divertido, faz do balneário uma festa.
P: E como jogador?
R: Basta dizer que está no Real Madrid e joga quase todos os jogos. Só isso define as suas enormes qualidades. É, sem dúvida nenhuma, um dos melhores centrais do mundo.
P: Na temporada passada teve também como companheiro Balboa, que agora está no Benfica. Como o descreve?
R: Muito difícil de marcar, quando eu jogava na ala. É muito rápido e faz cruzamentos quase de todos os lados.
P:Mas não joga no Benfica...
R: Não? Provavelmente ainda não está adaptado. Ele tinha lugar no Real Madrid, só saiu porque não jogava assiduamente, mas é jovem e vai dar muito que falar, não tenho dúvidas.
in: DN Online

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